terça-feira, 21 de julho de 2009
Acertos do Portal Comunitário neste fim de primeiro semestre: princípio geral
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Múltiplas estratégias editoriais na captura (e defesa) do interesse público
Os pontos fortes da cobertura do Portal Comunitário na semana que passou (21 a 27 de junho) foram a diversidade temática e o equilíbrio entre o factual e matérias mais frias, de discussão e tematização. Destaca-se também a presença sistemática de material fotográfico e links ao arquivo, o que sugere regularidade na estruturação de uma 'leitura preferida' e facilita o trabalho de localização do internauta no espaço informativo.
A reportagem da semana trabalha dentro do tema cultura, na problematização de um movimento artístico. As matérias de quarta e sexta-feira tiveram por gancho acontecimentos recentes/factuais. Ainda houve notícia sobre situação de aparelhos do município, infra-estrutura de bairro e serviço de uma entidade.
Cabe assinalar, portanto, a variedade de estratégias editoriais em jogo que resultam nessa visão de um mosaico (coerente) dos acontecimentos de interesse comunitário em Ponta Grossa. Essa foi a principal marca de atuação do Portal durante a semana e acaba por entrar em sintonia com os debates do XII Seminário de Inverno de Estudos em Comuinicação, que termina hoje.
Uma ação de reportagem que funcionou foi a conexão com informações de arquivo no decorrer do texto. A própria reportagem trata de lembrar elementos pretéritos do acontecimento. Isso ajuda a construir melhor a categoria “particular”, que inclusive vai dar sentido ao aspecto “singular” dos fenômenos, para citar a perspectiva de Adelmo Genro Filho – em debate no primeiro dia do Seminário de Inverno.
O que faltou à reportagem especial da semana
- informações sobre a localização de tais grupos e manifestos hip hop pela cidade, dado o fator de forte identificação do movimento com a vida dos bairros;
- pluralidade de olhares sobre a questão do preconceito. Supermercados e shoppings são citados, porém não são consultados, até porque seria interessante ouvir eventuais justificativas ou explicações 'do lado de lá' (e em Ponta Grossa!). A falta dessa consulta tira um pouco da novidade do texto – daí o tom didático, lento e explicativo que predomina. As fontes não deixam, assim, de ser oficiais – para lembrar a discussão de ontem do professor Emersom Cervi no Seminário de Inverno. Saber como o 'outro' lida com certa manifestação ajuda a melhor discutir relevância e convivência de expressões do meio urbano. Na mesma levada, as rádios também poderiam ser ouvidas (inclusive as comunitárias);
- lembrar na fala do jornalista entrevistado que o Jornal da Manhã inaugurou (no mesmo domingo) uma página de cultura – o que realmente não ver a ser uma editoria, mas altera o tipo de cobertura.
- situar a produção discográfica e as possibilidade de gravação (estúdios), distribuição de registros e espaços para realização de shows.
- melhor embasar em dados concretos a percepção de preconceito (caso contrário, não estaríamos nós, como jornalistas, a reforçar uma visão e gerar uma situação viciante de 'gueto'?). Quem é, afinal, o interlocutor para o título do editorial?
- publicar letras de música do grupos locais. Seria uma possibilidade interessante, dada nossa baixa ou quase nunhuma limitação de espaço na web e também a importância que têm dentro da cultura hip hop.
O que funcionou na reportagem especial da semana
- rodízio de imagens na tela principal da matéria de abertura;
- utilização do gênero entrevista direta, com ponto de vista especializado;
- a própria pauta é digna de revisitas e ainda carece de abordagens na mídia local, principalmente pelo ângulo das limitações impostas na livre circulação pelo espaço público;
- a retranca específica com sugestão de sites sobre o movimento;
- a consutla a diversos grupos;
a recuperação do caso em Curitiba, em que um então novo shopping proibiu a circulação do que por lá se costuma chamar de 'vileiros'.
A mensagem fotográfica
A foto externa da Câmara presente na matéria de sexta-feira é uma das imagens mais repetidas do órgão nos noticiários locais. Talvez coubesse procurar outros ângulos, menos desgastados e mais informativos.
Nas margens do sentido
Uma das matérias da semana utilizou a expressão “atos de vandalismo”. Um vício do jornalismo, em geral. De que modo poderíamos começar a romper com tal generalização? Curiosamente, não raro ouvimos tal designação justamente para qualquer um que circule com roupas e estilos diferenciados pelo centro da cidade.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Entradas e bandeiras do Portal Comunitário
A notícia dos jornais de Ponta Grossa (veja post anterior) sobre impedimento legal para a construção do novo aterro sanitário na cidade serve de reforço aqui para uma das práticas editorias do Portal Comunitário. O acompanhamento jornalístico de temas e a informação sobre os desdobramentos dos acontecimentos, sem perder de vista conexões entre fatos aparentemente isolados, participa de ampliação do debate popular sobre a questão.
Mas qual a diferença, no caso, da cobertura do Portal em relação aos impressos locais e demais veículos? Uma pista é que a própria orientação comunitária deste espaço laboratorial-extensionista estimula uma leitura das política urbana a partir da sociedade civil, dos movimentos, pesquisadores, professores, profissionais diversos, estudantes, trabalhadores e, de modo ainda mais interessante, dos conselhos e das associações de moradores.
Os dois últimos atores, aliás, quando bem explorados, podem representar novos diferenciais ao Portal (e, por tabela, à formação dos estudantes pelo projeto). Dizer como anda a política municipal significa, nessa lógica, também dizê-la a partir dos vários conselhos municipais, que em diferentes áreas podem funcionar no debate e reformulação de políticas públicas. Claro que não é tão usual quanto pautar preferencialmente a política pelo executivo ou pelo legislativo. Mas justamente por isso valeria novas visitas (e pautas!). Mal sabemos da existência e do funcionamento de alguns.
Em diversos momentos foi a participação de tais conselhos que motivou notícias por aqui, tanto no tema meio ambiente quanto em saúde. O Portal tem méritos, no caso do aterro, em acompanhar as movimentações internas, como reuniões do Condema. E o que o bom funcionamento de conselhos municipais têm a ver com participação comunitária e uma política que melhor reflita as preocupações com qualidade de vida? Aí outra entrada a explorar, seja por reportagem ou demais formas de polemização.
No caso das associações de moradores, o início de um acompanhamento sistemática já começa a render frutos. Como a valiosa informação em duas matérias da semana passada de que festividade em bairro é atividade de alto risco, dados os índices (e também indícios, bem mais valiosos, por vezes) de violência. Isso ficou evidente tanto no Jardim Paraíso, que repensa a possibilidade de realizar festa junina, quanto no Santa Mônica – onde a festa era uma forma de angariar fundos para a necessária (e urgente, pelo que bem aponta a matéria) reforma na sede da associação. Temos então uma questão de segurança pública acompanhada de interesse dos moradores em 'resolver as coisas'.
Para um exercício de contraste, basta consultar, entre as matérias da mesma semana, como um campeonato desportivo pode estimular a integração em certo bairro – quando existe condição mínima para sua realização.
Assumir a bandeira das associações de bairro, numa verdadeira radiografia da situação e atuação desse importante ator social, de modo algum deixa, automaticamente, como se poderia imaginar, os textos parciais ou propagandísticos. Basta não abrir mão da pluralidade na cobertura, entre outroas precauções. Essa estratégia revela-se, aos poucos, uma forma de estímulo, via informação atualizada, à vida comunitária.
Outro ponto destacado no início do texto e que fomenta uma coberta singular do Portal sobre o cenário político é a possibilidade, pelos recursos da web e pela forte periodicidade, de se encaminhar uma leitura capaz de conectar diferentes dimensões ou até momentos de um fato. Links, agendas, matérias, notas informativas e outros recursos ou marcações podem ser interessantes nesse sentido. De momento, vale registrar que tal 'conexão' já começa a se desenhar pela coerência editorial do projeto.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Novidades sobre o aterro, uma das 'bandeiras' do Portal
JUSTIÇA BARRA ATERRO (Jornal da Manhã)
JF determina paralisação das obras de aterro particular (Diário dos Campos)
O que já foi notícia no Portal sobre o aterro:
Mobilização questiona liberação da construção de aterro sanitário
Novo aterro sanitário de Ponta Grossa recebe críticas na reunião do Comdema
Comdema aprova, com ressalvas, relatórios sobre projeto do aterro sanitário
Reunião do Comdema define prazos para o parecer dos conselheiros
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Formação em Jornalismo e a captura de um enfoque (publicamente relevante) da realidade
Na próxima quarta-feira (17), o Superior Tribunal Federal (STF) deve julgar, após seguidos adiamentos, a obrigatoriedade da formação superior em Jornalismo para exercício da profissão. A questão interessa fundamentalmente à sociedade que se quer bem informada e, portanto, à democracia. Indiretamente, interessa a todos aqueles que trabalham a crítica de mídia (como usuários ou produtores) e, por pressuposto, preocupam-se com a qualidade da informação midiática da atualidade como acesso à cidadania.
Uma das condições para a qualificação das produções jornalísticas é a institucionalização e sólida legitimação do espaço por excelência da crítica e do aprendizado, ou seja, do ambiente de formação superior em Jornalismo. É nesse campo de ensaios (arranjos, composições, desempenhos, escutas, orquestração) que se trabalha a competência e o saber para uma forma muito específica de ver/dizer/fazer cotidianamente o mundo social. De tal forma que a melhor maneira de se defender a liberdade de expressão é zelar pelo espaço público com a produção de um jornalismo orientado pelo interesse coletivo – capaz, assim, de expressar com pluralidade os acontecimentos de uma época e de uma sociedade.
Dado o caráter necessariamente clonflitual e complexo das dinâmicas sociais contemporâneas, é no espaço institucionalizado de desenvolvimento reflexivo de competências específicas e não exclusivamente no desejo individual de se expressar em público que reside a garantia de um profissional capaz de reconhecer demandas públicas de informação e reinventar periodicamente olhares sobre a realidade.
O projeto extensionista-laboratorial do Portal Comunitário é um dos espaços voltados à prática, reflexão e ao aprendizado de um fazer singular – a partir da sintonia com as movimentações comunitárias de Ponta Grossa.
Limites do enfoque (em exame): a psicologia de um drama social
No comentário anterior, assinalei o bom trabalho de pauta da reportagem especial ao buscar, em determinado momento, entender a participação do indivíduo em causas coletivas. Na reportagem desta semana, no entanto, praticou-se o reverso: o conjunto das matérias lê a sociedade a partir da esfera individual – e aí está, a meu ver, o principal limite do enfoque adotado/testado.
O enquadramento preferido para atacar o problema da obesidade foi a dimensão psicológica, que nem sempre precisa ser fútil (como o faz crer, por vezes, o telejornal da hora do almoço), certamente, mas também está longe de ser a única. Basta ver como essa interpretação é valorizada nos títulos:
Preconceito contra obesos leva a isolamento social e provoca doenças psicológicas
É preciso “trabalhar com valores, como respeito, paciência e tolerância”, diz pedagoga
Depressão é uma das doenças psicológicas mais comuns entre obesos
A estrutura da reportagem da semana leva a crer (ou promete!) que um tema será ali desdobrado, abordado nas múltiplas determinações. Em geral, tem funcionado dessa forma no Portal. Mas desta vez o material ‘psicologizou’ um problema social, dado o enfoque sobre tema.
E quais os ‘sintomas’ desse enfoque (viciado)?
- ênfase no aspecto individual do comportamento (vontade pessoal). Isso é diferente de investigar onde é que certas ações aparentemente individuais ganham respaldo ou tensionam práticas institucionais. A entrevista com a pedagoga tenta fazer esse enlace, quando insinua que tolerância passa por aprendizado, necessariamente social. Mas é pouco. Talvez a fala da fonte aí muito situada no ambiente da educação privada não tenha permitido explorar uma questão afim: na educação municipal básica, o que existe de orientação a respeito? Pois aí estaríamos, como leitores, interessados em saber onde uma vontade geral (tratar sem preconceito) se institucionaliza. Algumas situações cotidianas permitem ‘ler’ essa zona de tensão entre o problema aparentemente individual, ainda que seja classificado como “doença”, e social - quando se tem dificuldade para passar na roleta do ônibus, sentar na cadeira do cinema, do banco, esperar em pé em filas...
- o editorial sinaliza, ao final, para a questão das políticas públicas específicas, mas nem o texto nem o conjunto das matérias acabam respondendo por isso, que seria um dos principais ‘ganchos’ para a reportagem. Quais os planos de PG para a saúde pública? E a obesidade faz parte dessa cartilha? Faltam estatísticas que sinalizem a incidência do problema. Afinal, o sistema público de saúde realiza a referida cirurgia? Com que freqüência? Quais os riscos? Quantas foram as campanhas preventivas mobilizadas até agora? Como se vê, o problema pede alçada mais ampla e não é de responsabilidade exclusiva das revistas femininas como (parece) gostaríamos. O editorial precisaria pontuar uma questão da atualidade para, aí sim, argumentar.
- há um comentário de uma das fontes sobre a cirurgia pelo SUS e a demora em conseguir. Ali estaria um possível novo enfoque para o tema, mas que ‘passou batido’.
Ainda assim, há que se considerar a relevância de se colocar e desenvolver o olhar sobre o (problemático) tema na agenda midiática. O que é digno dos mais variados esforços e não ação de simples reflexo de acontecimentos, como se o trabalho do jornalista fosse automático e não um cotidiano repensar de estratégias para identificar e narrar a presente ação humana. A formação em Jornalismo tem a ver, também, com esse espaço de ensaio e treinamento que nos permita (como sociedade) dispor de informações precisas e enfoques renovados/ousados/pertinentes sobre o modo de vida contemporâneo (em nada consensual).
O que se chamou aqui de ‘psicologização de um drama social/público’ não esgota, portanto, a valiosa tentativa da cobertura dos estudantes, que precisam seguidamente enfrentar jornalisticamente temas complexos. Esse enfoque, aliás, é muito presente na cobertura, em geral, de outros temas, como depressão e até mesmo emprego (!) – quando se enfatiza que depende da boa aparência do candidato na hora da entrevista, entre outras variações interpretativas midiáticas...
Por fim, vale frisar, concatenar outros “quadros interpretativos”, para roubar expressão do sociólogo canadense Erving Goffman muito cara à teoria do jornalismo, ultrapassa obviamente uma questão de maldade ou má vontade de repórteres e editores. Implica domínio de saberes específicos do campo jornalístico - de reconhecimento, procedimento e narração, como relembra o professor Nelson Traquina. Logo, é justamente no tempo/espaço da formação acadêmica que tais competências de olhar o mundo a partir do interesse público – e assim selecionar ocorrências, fontes, mas também enfoques – devem ser moduladas, experimentadas, debatidas e pesquisadas.
Links com precisão cirúrgica
O trabalho com links avançou em relação às semanas anteriores e a matéria especial reflete esse esforço em mesclar continuidades internas (do próprio Portal) e externas (de outros sites e endereços). Caberia pensar apenas na possibilidade de melhor precisar quando se trata de matéria de arquivo ou atual (algum sinal gráfico poderia acompanhar a chamada, talvez). O mesmo vale para o link de áudio com a entrevista (na página da matéria, falta o link). A chamada leva a entender que é possível ouvir no site mesmo (em streaming). No entanto, é preciso baixar o arquivo MP3. Dada as inúmeras possibilidades de clique do internauta, ele precisa saber exatamente onde está indo parar em cada link, como frisa o pesquisador José Pinho.
Rafael Schoenherr (rafaelschoenherr@hotmail.com)
segunda-feira, 8 de junho de 2009
As pessoas em suas causas, vidas e iniciativas (mais ou menos polêmicas)
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Continuidades do debate público: abrangência e presença na área da organização comunitária
Nos dois casos, da matéria sobre um campinho em situação de abandono e da possível acompanhamento de jogos pelos bairros, um dos recursos (gratuitos) que a web possibilita é linkar ou acoplar um mapa que indique onde estão precisamente tais locais.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O que se passa com o público do jornalismo digital
Trata-se de uma questão que interessa diretamente aos produtores do Portal Comunitário. Não apenas porque em muito o jornalismo opera com um perfil imaginado de leitor (tática que orienta decisões, da pauta à redação), mas em função de que as estratégias de publicação na web são responsáveis também por envolver o público (a seu modo).
As primeiras expectativas vislumbradas com o potencial do jornalismo na web concentravam-se justamente nessa maior participação do leitor, seja comentando ou clicando em links. Como se bastasse 'estar na web' para gerar um outro jornalismo, mais envolvente e plural.
Hoje temos materiais empíricos e teóricos suficientes para desconfiar desse automatismo. As sistematizações das diferentes - e em alguma medida simultâneas - fases do jornalismo digital contribuem nesse sentido. A sociedade (empresas, organizações, pesquisadores, profissionais) gradualmente desenvolve, processualmente reconhece e se apropria das especificidades dessa tecnologia da comunicação.
Em suma, estamos na captura e na formação desse público, da mesma forma como ainda procuramos desenvolver estratégias de produção que melhor envolvam e sintonizem a expectativa do leitor - agora com outras possibilidades de atuação e escolha sobre os materiais informativos que consome/lê/recusa/recomenda/acompanha.
Uma complicada situação a investigar: comunitário sem comentários
Uma das marcas do Portal Comunitário é sua alçada ampla, vai de reportagens especiais sobre temas de interesse das comunidades às notícias da Câmara de Vereadores. Vale-se de editoriais (texto opinativo, portanto) e matérias informativas multi-temáticas (saúde, política, meio ambiente, sociedade civil...). Tudo isso associado a um forte ritmo de atualização para uma produção laboratorial (com direito a "erramos") - e mesmo para o mercado local, que o diga a experiência de sites e portais locais ou regionais que não vingaram. Há, em síntese, uma abrangência temática fomentada em regularidade praticamente diária - periodicidade que vai configurar um determinado tipo de relação com o público leitor.
Outro dado que nos diz como o Portal 'captura' o público está no direcionamento produtivo a partir das entidades e associações comunitárias - sua principal e original proposta na cidade, aliás. São essas organizações (e suas movimentações) que vão gerar acontecimentos do interesse específico das equipes de repórteres/estudantes. Com o instigante complicador de que o leitor das matérias publicadas não se restringe a tais grupos e nem mesmo aos bairros da cidade. Esse leitor internauta é variado e fugidio, para dizer pouco.
Configura-se então uma situação comum a diferentes propostas (universitárias ou não) de jornalismo comunitário na web. Gera-se notícia a partir de certas comunidades, mas com alcance virtualmente global na hora da publicação. Tanto é que nem sempre o leitor que deixa comentários nas matérias pertence às comunidades citadas/preferidas. A depender das estratégias produtivas, ambos os públicos podem ser instigados a participar e de diferentes maneiras.
Comentar matéria então pode ser apenas uma das opções de participação de determinado público. Mas não deixa de ser um indicador a ter em conta o reduzido número de comentários do leitor no Portal Comunitário.
Desde o dia 3 de janeiro de 2009, foram apenas quatro comentários para três matérias (nos dias 19 de março, 16 e 20 de abril), num cenário de 75 matérias publicadas. O que significa que 72 textos não receberam esse tipo de retorno do leitor. Cabe debater até onde isso representa problema técnico, editorial e/ou das condições locais de acesso a internet.
Uma limitada mas necessária comparação: o blog Crítica de Ponta (outro projeto do curso de Jornalismo da UEPG) tem 13 comentários de leitores somente na última edição semanal.
Links e pluralidade leitora
Outra forma de envolver o leitor na produção informativa na web é indicar caminhos (confiáveis!) de leitura e localização em meio ao universo caótico de dados disponíveis na internet. Em vez de sair procurando por conta própria, o leitor pode esperar que seu portal preferido recomende continuidades e assim ajude a organizar sua leitura e interpretação de certo fenômeno.
Os links cumprem diferentes funções em um mesmo texto. A utilização preferida durante a semana passada (17 a 23 de maio) em um universo de seis matérias foi por links internos, que remetem a outra página dentro do próprio portal, numa espécie de retranca ou desdobramento da notícia. Confira:
Link interno (retranca) | Link externo (outros sites) | Link para matérias de arquivo do Portal | |
Domingo (reportagem especial sobre piso salarial de professores) | SIM | NÃO | NÃO |
Segunda-feira (reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente) | SIM | NÃO | NÃO |
Terça-feira (posto de saúde da Vila Santa Mônica) | NÃO | NÃO | NÃO |
Quarta-feira (recepcionistas de imobiliárias) | SIM | NÃO | NÃO |
Quinta-feira (baixa presença em sessões na Câmara) | NÃO | NÃO | NÃO |
Sexta-feira (Artesanato Apadevi) | NÃO | NÃO | NÃO |
Numa primeira impressão, a utilização de links seria mero requinte técnico ou preciosismo do jornalista. Gradualmente, percebe-se que na web o recurso desempenha papel relevante de navegabilidade e na riqueza informativa (ou reconhecimento da singularidade do mundo fenomênico, para citar Adelmo Genro Filho).
No levantamento, metade das matérias se valeu do recurso de link como retranca ou desdobramento do tema. Os dois últimos textos (de quinta e sexta-feira) deixam de prestar informações de serviço que seriam facilmente resolvidas com links e não com longos parágrafos. Seria o caso de 'linkar' respectivamente para a pauta da sessão da Câmara (sempre disponível no Portal ou então para o próprio site da Câmara) e para informações de serviço sobre a atividade da Apadevi. No primeiro caso, trata-se novamente de melhor aproveitarmos comunicações entre os braços ou as partes do Portal.
No segundo caso, um link externo (para site da entidade ou afim) talvez pudesse resolver. Nenhuma das matérias, no entanto, utiliza essa recomendação para documentos ou informações que podem estar em outros 'lugares' da web. Existem documentos públicos digitalizados úteis para a organização comunitária e levantamentos relevantes que jamais seriam acessados não fossem recomendações disponíveis em sites noticiosos...
Outra possibilidade não acionada durante a semana foi a utilização de links para os materiais já produzidos, como na matéria sobre posto de saúde da semana retrasada (iniciativa aqui elogiada). Facilitar acesso ao arquivo por meio de links por afinidade ao fim dos textos é uma forma de fidelizar o leitor e respeitar seu virtual interesse por conhecer mais sobre certa realidade. Às vezes é essa informação de arquivo que dá sentido e noticiabilidade ao novo fato.
Colocar bem os links, portanto, tem a ver também com pluralidade jornalística na apuração e na publicação. Em que medida, por exemplo, o horário das sessões na Câmara dos Vereadores inibe e estimula participação popular? Sempre foi nesse horário? Por que não há transmissão direta pelo site? Informações que um desdobramento ou link interno poderia bem resolver - e assim também estimular o leitor a uma interpretação pelo ângulo das contradições e da pluralidade do mundo social e em rede.
Rafael Schoenherr
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Agenda jornalística na projeção de uma sociedade civil organizada
A comunidade (e)leitor@ dos periódicos ponta-grossenses percebe neste primeiro semestre um reencaixe local de forças e vozes sociais. Seria exagero dizer que somente em 2009 é que surgiu a sociedade civil organizada por esses campos (por melhor que seja a provocação...). No entanto, vale notar que em diferentes e seguidos momentos deste ano ela parece adquirir um desenho mais nítido na interlocução e negociação dos interesses coletivos. E qualquer jornal que se preze não pode(ria) ficar de fora de uma reconfiguração política - sob o risco de paradoxalmente não ser mais um noticiário de seu tempo.
Uma das marcas desse processo de politização de setores da sociedade princesina foi o sistemático questionamento a decisões unilaterais como forma de resolver os problemas da cidade (algo ainda atual mesmo em órgãos ditos planejados). Foi decisória nesse sentido a mobilização pública contra o aumento no preço da passagem do transporte coletivo no início do ano e posterior cobrança por transparência na gerência da verba pública. A instalação de comissões parlamentares de inquérito na Câmara de Vereadores indica também outro nível de cobrança e expectativas sobre o papel do Legislativo.
Como bem registrou o Portal Comunitário na semana passada, um terceiro fator a colaborar nesse novo cenário é o surgimento de atores representativos que passam a interagir nas decisões de interesse público. Seja por meio de conselhos, associações, sindicatos, movimentos ou fóruns, a discussão pode se tornar mais ampla e participativa com vistas a decidir os rumos de variados setores, da cultura ao meio ambiente.
O jornalismo na captura e produção de uma outra agenda pública
Na semana avaliada, entre os dias 10 e 16 de maio, o Portal tirou bom proveito de temas candentes e se destacou pelo fato de conseguir fazer agenda. Há um esforço em fazer a conexão entre eventos passados, anunciados/futuros e tensões presentes (o que daqui para frente pode ser ainda melhor explorado, espera-se). Isso se traduz em anunciar e ir cobrir, repercutir, acompanhar ações dos movimentos (por vezes, para além do factual e do episódico). Sob essa perspectiva é que se registram avanços e limitações do material publicado.
Houve bom trabalho de pautas, indo da associação de moradores do Monteiro Lobato à situação da saúde pública nos bairros. A matéria de segunda-feira (11) noticiou manifestação do Grupo Fauna na manhã de sábado (9). O jornalismo de interesse comunitário tem realmente a função de registrar intervenções dos grupos sociais. E, o que foi melhor, sem abandonar o apelo factual do calendário 'festivo'. Ignorar tais datas não seria a melhor saída. Aproveitou-se uma data comercial (noticiabilidade!) para, no fim de semana, cobrir manifestação que tensiona tal lógica e reivindica atenção pública a determinado problema. Esse tipo de cobertura in loco leva o repórter a criar proximidade com a comunidade e vivenciar conflitos - coisas que a imprensa nem sempre consegue fazer...
Outro acerto foi a notícia de terça-feira (12) sobre reunião realizada na UEPG que anunciava o lançamento oficial do Fórum Social em Defesa de Políticas Públicas. O evento estava anunciado antecipadamente no 'mural de recados' Eventos da Comunidade, no canto superior direito da página principal. Isso significa que, novamente, no dia o repórter foi até lá cobrir. Daí saiu a importante informação (de agenda!) com a data exata do lançamento (dia 14), na Câmara Municipal.
Esse movimento da reportagem em anunciar antecipadamente e na seqüência deslocar-se para cobrir, dizer como foi e repercutir a ocorrência (algo aparentemente simples, mas nem sempre cumprido à risca pelos jornais) quebra com uma leitura episódica e demasiadamente fragmentada das reivindicações da sociedade civil. Permite ler o acontecimento justamente em seus desdobramentos (de sentido e interpretação)...
Temas caros demais para uma abordagem episódica (ou uma agenda que não apaga o passado...)
Fazer agenda também agrega outra dimensão: para além do acompanhamento do acontecimento no tempo, o acompanhamento temático. Não é de hoje que o Portal Comunitário noticia a situação da saúde pública a partir da qualidade do serviço em diferentes bairros. E na web é possível estimular essa continuidade na leitura por meio de conexões/links. Ao final da leitura do texto principal sobre o Jardim Esplanada, recomenda-se assim um aprofundamento. Ainda mais: os links agrupados do arquivo traçam um interessante diagnóstico da saúde pública na cidade. Acompanhe:
17/04/09 - Com poucos funcionários, Posto de Saúde da Palmeirinha atende a quatro vilas
10/12/08 - População enfrenta problemas com a falta de médicos no Parque Tarobá
08/12/08 - Pacientes ficam sem atendimento no posto de saúde da Palmeirinha
28/10/08 - Olarias: Posto de Saúde deve funcionar em tempo integral, dizem moradores
25/10/08 - Demandas de pacientes ficam sem atendimento no Núcleo Pitangui
18/09/08 - Moradores fazem fila de madrugada no posto de saúde do Santa Maria
Um tipo de monitoria indispensável sobre a qualidade do serviço público (bancado pelo contribuinte) que cabe ao jornalismo.
A matéria de quarta-feira (13) sobre a feira em frente à igreja São José cumpre com outra função de agenda, que é de opção cultural ou de facilitar a organização na vida diária. Nesse sentido, falta apenas colocar a opção na relação de eventos regulares dos 'Eventos da Comunidade'. As partes do portal vão, assim, se reformulando na medida em que se comunicam.
Reportagem da semana
A reportagem especial abriu a semana com o tema da participação popular, tendo como recorte a Associação de Moradores do Monteiro Lobato - escolha acertada para tratar tal contradição, tendo em vista o alto contingente populacional. Indiretamente, é necessário registrar que o tema seria reforçado ao longo da semana por outras matérias sobre outros acontecimentos - o que, a meu ver, sinaliza para acerto na conduta editorial do Portal. A organização da sociedade civil, que pode começar pela 'simples' reunião de moradores, é bandeira a ser atacada por diferentes frentes de reportagem.
Algumas das falas coletadas são ilustrativas (e até pedagógicas) no sentido de mostrar que problemas habituais dos bairros, como transporte e acesso, podem ser intermediados quando os moradores estão organizados. Diferente então de um jornal a ser veiculado somente no Monteiro, o Portal precisa manter essa preocupação mais ampla com a utilidade das informações para outras comunidades que também pretendem se organizar. O desdobramento explicativo sobre a própria definição de associação de moradores funciona nesse quesito.
O recurso de links logo abaixo da cabeça da matéria funciona bem e rompe com a demasiada linearidade dos textos em geral apresentados na página principal. Pode-se ter a visão de panorama antes de penetrar na leitura. Ao internauta cabe traçar então um trajeto de leitura (conforme estímulos e limites da produção, vale lembrar).
O editorial (entre os links da matéria, o que foi bem lembrado) cumpre bem com a função de posicionamento informado sobre a realidade. Estimula a leitura da reportagem especial da semana. Possui, ainda, complemento em áudio (interessante para forjar novos formatos de editorial atrelados ao jornalismo digital - algo que não se ousa muito pensar na academia afora). Para melhor exploração do poder de arquivo da web (atrelado a utilidade pública), poderia haver um link para o texto da lei mencionada.
Duas informações da reportagem especial precisam de complementação ou confirmação. Uma das fontes cita que “O Brasil tem 509 anos, e apenas há 11 anos temos o direito a participar”. Talvez o leitor tenha dificuldade em lembrar o que mudou exatamente em 1998 que nos garantiu direito a (qual tipo de) participação.
Outra questão é o citado repasse dos órgãos municipais às associações de moradores (que seria insuficiente, daí a necessidade de cobrar taxas de mensalidade dos associados, mesmo que pequenas). Aqui existe gancho para outra matéria. A quantas anda esse repasse?
Agendar é (também) criar e suprir expectativas
Aponto dois problemas rastreados durante a semana que passou - um de ordem geral e o outro pontual - a serem pensados mediante essa lógica editorial que chamo aqui da criação de uma agenda jornalística na projeção de uma sociedade civil (quase) organizada.
1 - O que fazer para não recair em certo tipo de jornalismo sindical, principalmente naquele sustentado na voz dos diretores sindicais (como única fonte) que comunicam algo a suas bases? O Portal tem interesses mais amplos e interlocutores mais plurais que tais publicações direcionadas.
2 - Dado o acompanhamento dedicado ao anúncio de criação do Fórum Social em Defesa de Políticas Públicas, esperava-se (num justo senso comum de leitor de jornal) encontrar no Portal matéria abordando o evento da quinta-feira (14) na Câmara, dizendo como foi. Há que se ponderar, claro, as variáveis locais de produção laboratorial (e o fato de que o tema pode voltar durante esta semana). Mas, em alguma medida, é o preço da agenda...
Questões que não invalidam, mas certamente estão preocupadas em desenvolver essa tática já iniciada pelo Portal de fazer agenda junto a interesses e mobilizações da sociedade civil organizada na articulação política, em seus esforços de transformação e melhoria na qualidade de vida.
Outra expectativa
O Portal Comunitário foi indicado e concorre ao prêmio de melhor jornal-laboratório online na 14ª edição do Prêmio Sangue Novo, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná.
Rafael Schoenherr
segunda-feira, 11 de maio de 2009
A crítica joga a favor de um novo jornalista
Felizmente, a figura do ombudsman não é mais novidade nos Campos Gerais, como era há pouquíssimo tempo. E não seria presunção acreditar que as produções laboratoriais do curso têm responsabilidade nisso. Até porque vários profissionais da imprensa princesina passaram pela formação na UEPG e também foram alvos da atenção (sempre crítica e rigorosa, espera-se, mas ainda assim aberta ao diálogo) do 'ouvidor dos leitores'.
Esse dispositivo vigorou no impresso laboratorial e, em outra prova de ousadia, se estendeu ao ambiente digital. Quando coordenei o Foca Livre, contava com a voz precisa da professora Karina Janz na figura de ombudsman, ponto indispensável de orientação nos rumos do jornal. Qual não foi minha surpresa, agora, ao reencontrar e dar continuidade às suas estimulantes colocações sobre esta outra modalidade de jornalismo.
Com a diferença que agora podemos cobrar o Portal de outra forma. Não apenas porque muda o ouvidor, mas também pela nova fase de maturação do projeto - não mais os primeiros e seminais passos de vida. Um estudante que se habitua desde a graduação à interação com a crítica vai saber tirar proveito dela no mercado profissional. Sendo que ela nem sempre aparece nessa forma organizada e aberta.
Este novo profissional, em formação, dificilmente entenderia um comentário sobre sua produção como ofensa pessoal, maldade dos 'amigos' ou restrição de sua preciosa liberdade criativa de atuação. Pois em alguma medida ele compreendeu que jornalismo é atividade pública - daí que a crítica 'jogue a favor'.
Como os impressos em Ponta Grossa não circulam às segundas, abre-se uma lacuna na agenda de leitura diária noticiosa de todo estudante ou professor de Jornalismo (e demais interessados diretos). Convida-se, assim, o leitor a preencher esse breve mas nobre horário com a leitura das novidades no Portal Comunitário (que não pára nem aos domingos!) e nesta coluna de ombudsman. Mudanças em produtos laboratoriais perpassam alterações no habitus estudantil, profissional e leitor.
Outra lacuna do mercado local de informação é a notícia mobilizada pelo interesse coletivo e pelas particularidades comunitárias. O projeto tenta responder a isso como uma proposta editorial criativa e de responsabilidade. Busca pautar enlaces comunitários frente a desagregação social e o crescimento desorganizado e nem sempre sustentável da cidade.
Orientações iniciais sobre a leitura do Representante do Leitor
A leitura do ombudsman sobre o Portal Comunitário leva em conta aspectos da etapa de produção jornalística (rotinas), características finais dos textos (redação), modos de apresentação do conteúdo ao internauta (publicação e navegação) e possíveis respostas da comunidade (retorno). Sem perder de vista a singularidade do projeto editorial, que une práticas de jornalismo comunitário e digital. Tudo isso não em um produto de mercado, mas em um objeto laboratorial, necessariamente em desenvolvimento e gerador de conhecimentos específicos.
Eventualmente, pode-se trabalhar com breves indicações conceituais ou de debate que melhor orientem determinada prática. Com a ressalva de que o olhar não é necessariamente o mesmo do professor. Até porque o ombudsman localiza-se mais no campo profissional que exclusivamente pedagógico, em suas ligações com a sociedade (expectativas de instituições e leitores).
Podem aparecer relações com outros acontecimentos e coberturas, noticiados tanto pelo Portal como por outros serviços. Desde que auxiliem a ver melhor o que estamos fazendo e para onde podemos ir. Tenta-se avaliar o que foi produzido e projetar futuras ações. Nem todas as avaliações referem-se a correções imediatas sobre o material já publicado. Algumas tentam muito mais servir como auxílio para novos trabalhos (pautas, reportagens, publicações).
Identificar limitações é uma das formas de desenvolver um projeto laboratorial. Não queremos que seja sempre o mesmo, mas trabalhamos no seu (estudado e reflexivo) aperfeiçoamento.
Observações da semana
Período avaliado: de 3 a 9 de maio
Agenda Cultural e Comunicação Comunitária
No entanto, de modo semelhante às agendas culturais de jornais da cidade, ainda há falta de sistematização das informações - uma organização dos dados que facilite a navegação do leitor (aqui necessariamente apressado). As letras garrafais deixam essa impressão de pouco 'trato' jornalístico do material. Outro indicador é que boa parte da programação seja referente aos eventos da Semana da Cultura Bruno e Maria Enei.
Algo a se planejar ao longo do tempo, claro, uma vez que não é o cardápio principal do portal e certamente recomendaria equipes e lógicas próprias de produção.
Vale ainda destacar nesse sentido de agenda o bom serviço dos "Eventos das Comunidades" na página principal. A agilidade e a simplicidade (eficiente) lembram os famosos murais de informes em pequenas comunidades (que possuem função estratégica de organização). Só resta atentar para cobrir o que for ali anunciado. Aquele encontro na UEPG para discutir políticas públicas, por exemplo.
Que outras formas básicas de comunicação popular poderíamos reativar ou rearticular via portal?
Nesse mesmo sentido, só que como preocupação, ressalta-se que o espaço de crônicas está abandonado, como já destacava a professora Karina Janz.
Quando a notícia escapa pelos dedos
Matérias da semana indicam um bom jogo de pautas, devidamente vinculado ao interesse comunitário. No entanto, às vezes a notícia passa diante do gravador e dos olhos do repórter e... escapa. É o caso do texto Inadimplência no pagamento do auxílio saúde dificulta administração do Siemaco, do dia 5. Será que o principal resultado da inadimplência é gerar problemas administrativos ao sindicato, como sugere o título?
A falta de clareza no início pode afastar o leitor (sigla no título e ambigüidade). Quem são os inadimplentes? É preciso ler toda a matéria para entender que não são os trabalhadores, mas determinadas empresas. Seria de se esperar que a reportagem fosse em busca de tais devedores, que podem estar prejudicando um serviço de saúde, direito dos sindicalizados. A questão da pluralidade não se resolve tão somente em ouvir várias fontes que apontem a importância do auxílio, como se vê.
Lá pelas tantas se descobre que o Grupo Alerta há dez anos não faz os pagamentos, o que resulta em uma ação na Justiça. Isso é mais noticiável que os dramas administrativos e pediria uma possível revisão de foco. Claro que pode ser resolvido em novas matérias (suítes). E o fato de tal informação estar ali é porque já houve um bom trabalho de reportagem. Talvez seja o caso de se negociar melhor o que vem como direcionamento de pauta e as novidades apreendidas no trabalho de campo.
Em outros momentos, o problema não é de foco, mas a notícia 'escapa' pela falta de alguma informação complementar. Matéria do dia 4 sobre curso de alfabetização no Reviver deixa de informar quantos são os inscritos até o momento. Parece que poucos. Novamente, a pauta é 'quente' do ponto de vista comunitário. Outros detalhes a tornariam ainda mais pertinente e original (para além de um mero reclame de certos moradores). No referido Programa Paraná Alfabetizado, a responsabilidade pela divulgação e inscrição de novos alunos é do Reviver ou do Governo? Chama a atenção pelo fato de que são integrantes da ONG que estão correndo atrás, como destaca o texto. Qual a contrapartida governamental?
Estimativas sobre índice de alfabetização na cidade ajudariam a melhor dimensionar a importância do projeto, o que a matéria (antiga) do link tenta fazer, com limitações.
Ainda nesse sentido de tirar melhor proveito de boas pautas, faltou à matéria sobre participação de representante local no Congresso Nacional dos trabalhadores dos Correios um dado concreto sobre a condição hoje e histórica de tais trabalhadores.
Já em matéria sobre a baixa adesão ao Sindehtur, a contradição espera por ser explorada e, assim, virar notícia. Com um sindicato de tamanha abrangência, gostaríamos de saber quantas são as empresas de tais setores profissionais em PG. Isso ajudaria a saber o quão pequeno e pouco expressivo é o número de 700 sindicalizados. A concentração na voz exclusiva do presidente não dá conta de responder... Alguma outra fonte poderia avaliar melhor o impacto de tal situação e os interesses envolvidos.
Localização no site, no assunto e na cidade
Uma das formas do Portal conduzir ou estimular a participação e a leitura do internauta é pelo modo como localiza as matérias na página. As classificações na barra esquerda situam os conteúdos não apenas por assunto, como seria o óbvio, mas também por entidades, sindicatos e bairros.
Em algumas circunstâncias, no entanto, a data da matéria desaparece, o que é preocupante uma vez que temos a possibilidade de acessar o sítio nem sempre pelo início e a qualquer horário. A Reportagem da Semana fica sem data, por exemplo, em sua página principal.
Outra ação possível no jornalismo digital é melhor situar o leitor no assunto do texto com recursos específicos. Um exemplo é oferecer indicações de caminhos para complementação ou aprofundamento. A matéria sobre palestras de orientação à doação de medula óssea cumpre a indispensável função de serviço, mas poderia também apontar endereços para quem deseje outras informações (inserção do problema em PG e no estado, por exemplo). Formas de sair do evento pelo evento.
Deslocamentos geográficos ou estratégicas ocupações do espaço urbano realmente não podem 'passar batido' para o jornalismo de interesse comunitário. Esse desenhar da cidade agrega valor-notícia ao Portal e prova disso é a cobertura de manifestações (mesmo no feriado!), como a Caminhada do Trabalhador.
Há aí também uma prestação de serviço, como o informe de que a farmácia do Sindicado dos Servidores Municipais mudou de lugar.
Já o texto sobre a festa do trabalhador deixa de localizar devidamente na cidade o evento. Quem sabe os mapas (gratuitos) sejam opção de (localiz)ação a trabalhar de algum modo justamente nesse enlace comunitário pretendido.
Por Rafael Schoenherr
